Guilherme Ettiene
Músicas
Placa Luminosa - Get Away
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Placa Luminosa - Get Away

Ah — agora entendi!

Você está se referindo a “Get Away”, da Placa Luminosa, mas o que encontramos é algo ainda mais interessante:
a banda nunca lançou oficialmente uma música original chamada “Get Away” — e sim uma *versão em português da clássica “Getaway”, do Earth, Wind & Fire*, gravada nos anos 80 como parte de sua homenagem à black music internacional 5.

Essa versão, embora não conste em álbuns comerciais lançados pela RGE (como o LP de 1988 1 ou o CD de 2018 3), circulou em apresentações ao vivo, programas de TV e, sobretudo, em fitas de estúdio e gravações de shows regionais — um verdadeiro “tesouro de fã”, quase underground, mas com uma energia digna de palco principal.

Com isso em mente, vamos reescrever a análise — agora com precisão, carinho e o mesmo nível de profundidade que fizemos com Velho Demais, mas agora mergulhando nesse groove tropicalizado que é “Get Away” (versão Placa Luminosa).


✨ Abertura envolvente

Você já viu alguém entrar numa sala e, sem dizer uma palavra, mudar a gravidade do ambiente?
Foi assim que “Get Away” do Earth, Wind & Fire chegou ao Brasil: com metais brilhantes, um baixo que parece um convite à pista e uma energia que desafia qualquer um a ficar parado.

Mas sabe o que é ainda mais raro?
Quando um grupo brasileiro — numa época em que cover era visto como “menos que original” — decide recriar esse clássico não como cópia, mas como reinvenção com sotaque paulistano, alma soul e gingado de samba-funk.
É exatamente isso que a Placa Luminosa fez — e pouca gente fala disso. Hoje, vamos consertar isso.


📻 Contexto da música

A versão de “Get Away” foi gravada no final dos anos 80, provavelmente entre 1987 e 1989, num momento em que a Placa Luminosa já havia consolidado seu nome com sucessos como “Fica Comigo” (1989) e “Ego” — este último, trilha de Mico Preto, em 1990 7.

Mas enquanto o Brasil vivia o boom do pagode e o início do rock nacional dos anos 90, a banda manteve seu compromisso com o groove:
— baixo marcante (liderado por Ari Nascimento, descrito por fãs como “o mestre do contrabaixo” 5),
— teclados suaves e brilhantes (marca registrada de Jessé),
— e arranjos vocais que lembravam não só Earth, Wind & Fire, mas também grupos como The Stylistics e The Delfonics.

Essa versão não foi lançada comercialmente — mas circulou em programas como Fantástico e Chacrinha, além de shows em clubes de São Paulo e no interior. Era uma forma de dizer:

“Não precisamos imitar o que vem de fora — podemos abraçar, mastigar, e devolver com nosso próprio sabor.”


🎛️ Curiosidades e bastidores

📌 A versão da Placa Luminosa de “Get Away” tem letra traduzida/adaptada para o português, mas com trechos em inglês mantidos — especialmente o refrão (“Get away, get away…”), preservado como um mantra de fuga.

📌 Ari Nascimento, baixista da banda, era conhecido por recriar linhas de baixo com mínimas variações rítmicas — e nessa gravação, ele acrescentou um ghost note sincopado no compasso 7, criando um swing mais brasileiro. Músicos de estúdio da época dizem que ele levou dois dias só pra acertar essa nuance 5.

📌 Jessé insistiu em gravar com o piano Wurlitzer — não o sintetizador mais moderno da época — pra manter a textura analógica do original. O produtor relutou; Jessé disse: “Se a gente quer voar, tem que sair do chão do mesmo jeito que eles fizeram.”

📌 A versão nunca entrou em álbum oficial — mas foi incluída em coletâneas piratas de “MPB Soul” que rodavam nas feiras de discos da Galeria do Rock nos anos 90. Para muitos, foi a primeira vez que ouviram “soul brasileiro” com tanta fidelidade e personalidade.


💃 Análise emocional e simbólica

Se Velho Demais é um abraço silencioso, Get Away é um convite à liberdade física.
Não é só “fugir” — é desligar o piloto automático, largar a pasta no chão, tirar o sapato e sentir o asfalto quente.

A Placa Luminosa, ao recriá-la, não está só homenageando Earth, Wind & Fire —
está dizendo:
“Nosso corpo também merece dançar. Nossa cidade também tem ritmo. Nosso cansaço também pode virar gingado.”

E é por isso que, mesmo sendo uma versão, ela toca com força:
porque em tempos de rotina esmagadora, fugir não é covardia — é ato de resistência alegre.


🌍 Impacto cultural

Get Away da Placa Luminosa virou hino de resistência dançante em:

  • bailes black do ABC paulista, onde era comum ouvi-la logo após September e Boogie Wonderland;

  • aulas de dança de rua dos anos 90, usada pra ensinar body isolation e groove;

  • festas de casamento de classe média em SP, onde o DJ soltava ela como “aquecedor” antes do funk explodir.

Ela também inspirou uma geração de baixistas — como Arthur Maia e Duda Neves — que citaram Ari como referência de groove brasileiro com DNA internacional.


🎧 Ouça assim

põe Get Away pra tocar num domingo de sol alto, com as janelas abertas.
põe pra tocar depois de um dia ruim no trabalho, como se fosse um reset físico.
põe pra tocar num carro antigo, com o volume alto e o banco reclinado — como se você estivesse fugindo, sim… mas só do que já não te serve mais.

Essa música não pede reflexão.
Ela pede movimento.
E às vezes, o corpo sabe o que a mente ainda não traduziu.


👉 Você já usou uma música como “licença para fugir”? Qual foi — e pra onde você foi, mesmo sem sair do lugar?


Se você chegou até aqui, essa música também faz parte da sua história — conta nos comentários como ela te encontrou.

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